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A engenharia e a questão racial no Brasil

Como a engenharia está relacionada com a questão racial no Brasil e como ela pode ajudar?

Todos sabemos a situação em que se encontramos enquanto esse post está sendo publicado (10 de junho de 2020). Muitos protestos e manifestações estão correndo no mundo inteiro contra o preconceito e a segregação racial. Isso decorre seja por via presencial ou pelas mídias sociais, mais independentemente do meio, estamos demonstrando insatisfação conjunta contra um sistema estruturado que não provém a mesma qualidade de vida para todas as pessoas por causa da cor de sua pele e de sua etnia.

Essa luta, porém, não se contêm somente a violência contra o povo afrodescendente. Ela se estende também para as oportunidades e qualidades de vida que são oferecidas aos mesmos.  Em nosso país, de acordo com dados do IBGE, cerca de 49,5% da população é composta de negros e pardos. Dado esse que, contrasta muito com a composição da estrutura discente dos 10 melhores cursos universitários do país, segundo dados do Ranking Universitário Folha (RUF). Segundo essa fonte, apenas cerca de 20% dos alunos das 5 engenharias listadas são pardos/negros, isso porque se inclui as cotas raciais. Não entrando no mérito delas serem eticamente certas ou não, mas certamente essa proporção seria ainda menor sem essas políticas de inclusão social.

Dados da composição discente UFSC 2004.

Fato é que, todo processo de formação de nosso país é a causa de números favoráveis aos negros no meio acadêmico serem tão baixos. A escravatura foi abolida a tempos, mas suas consequências perduram até hoje. Exemplo disso é a alta porcentagem de negros que compõem a pobreza no Brasil, cerca de 70% segundo o IBGE, como também os longos históricos de casos de episódios de injúria racial, o racismo estrutural no meio profissional e social, além é claro da porcentagem de assassinatos de pardos/negros que gira os 75% dos totais, segundo dados do Estadão.

Conclusão

Apoiar o movimento, não é uma questão política ou ideológica, e sim de bom senso e empatia. Logo, o papel da educação é acabar com o racismo estrutural desde as suas bases, que são os jovens. A engenharia também deve ter um papel nessa luta, com a maior exposição de trabalhos de engenheiros negros, políticas de incetivos tecnológicos em comunidades carente e entre outros. Não se pode esperar sentado para que a mudança ocorra, todas as partes devem entregar sua contribuição, a menor que seja. Lembrar-se que esse não é um conflito a favor apenas das pessoas negras, e sim da sociedade em geral, pois é interesse de todos que a cor da pele seja apenas algo estético, e que não influencie no futuro, expectativa de vida e oportunidades que uma pessoa tenha em sua vida. #blacklivesmatter

Fonte: Glamour

Referências

Freire, Simone. Presença de negros fica estagnada entre os 10 melhores cursos universitários do país. 01 jul, 2019. Disponível em: https://www.almapreta.com/editorias/realidade/presenca-de-negros-fica-estagnada-entre-os-10-melhores-cursos-universitarios-do-pais. Acesso em 10 jun, 2020.

Presença de negros avança pouco em cursos de ponta das universidades. 01 jul, 2019. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/educacao/2019/07/presenca-de-negros-avanca-pouco-em-cursos-de-ponta-das-universidades.shtml. Acesso em 10 jun, 2020.

 

 

 

 

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Guilherme Narciso Lee
Guilherme Narciso Lee Trainee Técnico em Eletrônica e Graduando em Engenharia Elétrica
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